Município


A Igrejinha de 1820


Em documento de 1907 (Autos de Medição nº 327, Maço 11, Estante 26/e/C - Júlio de Castilhos, pg 416 e 416v - Arquivo Público de Porto Alegre), o engenheiro Kurt Vicent Daberkow cita "uma pequena área de 80.000 m² destinada à formação de um povoado ao redor da Igreja Nossa Senhora dos Remédios aí existente". Descreve esta igreja, no mesmo documento, como "de construção rústica, parede de pau-a-pique e cobertura de capim"

Pode-se concluir, portanto que a atual "Igrejinha dos Quevedos" foi, depois daquela época, reconstruída de alvenaria e coberta com telhas-canoa. Mandaram, então, cultuar em sua fachada o ano de "1820". Seria a antiga igrejinha de barro (pau-a-pique), coberta de capim, de 1820? Parece-nos certo que não.

As pessoas possuem uma compreensível e natural tendência de exagerar o tempo de existência das coisas antigas. Em seu livro sobre anotações à historia do Município, o Mons. Correa, baseado em informação oral, afirmou que o primeiro morador do Distrito chegara em 1780 e que seu nome era José de Quevedo de Macedo. A chegada foi adiantada em 22 anos e os sobrenomes, por tradição, sofreram uma inversão, onde documentos encontrados posteriormente comprovam haver equívocos.

Temos, portanto, a data de "1820", como arbitrária. José de Quevedo de Macedo morreu em 1842 e foi enterrado no local da primitiva capelinha, hoje cemitério abandonado no centro da Vila. A atual igrejinha em questão teria sido construída depois desse ano. Sabe-se, ao certo, que a Capela de Nossa Senhora dos Remédios fazia parte da Freguesia de São Martinho e daí criada por lei eclesiástica de 22 de novembro de 1852. 

A "Igrejinha dos Quevedos", coberta de capim, deve, salvo melhor juízo, ter sido construída pouco antes ou em 1852.

 

 

Breve Resumo sobre a Padroeira Nossa Senhora dos Remédios


Créditos à E. E. de E. B. D. PEDRO I

 A partir do século XVII, o território do distrito de Quevedos foi parte integrante da Grande Estância de São Domingos, pertencente ao Povo de São Miguel das Missões. Após a conquista das Missões pelos portugueses, em 1802, o sorocabano José de Quevedo de Macedo, adquiriu uma sesmaria de campo e terras com mato, no atual 5º Distrito do Município de Júlio de Castilhos, à margem do Rio Toropi.

Em 1913, foi criado o 6º Distrito de Júlio de Castilhos, com a denominação "Igrejinha" e em 1928, Igrejinha passa a ser o 5º Distrito de Júlio de Castilhos. A denominação "Igrejinha" foi trocada em 1938 para "Quevedos" em homenagem às famílias descendentes do primeiro morador do Distrito.

Contam as pessoas mais antigas, moradoras de Quevedos, que o velho Quevedo de Macedo teria se estabelecido nas proximidades do atual Cemitério velho.

Depois de levantar os ranchos e mangueiras, teria construído uma capelinha de lascão de Madeira coberta de tabuinhas, em cujo altar colocou uma pequena imagem de Nossa Senhora dos Remédios, Santa de sua devoção, que ele havia trazido no bolso do colete. Montou também o pequeno sino de bronze que trouxera no lombo de uma mula. Mostrando assim a sua fé e religiosidade, que passou de geração a geração.

O som das primeiras badaladas atraia os índios da região que ele começou a catequizar.

A devoção à Nossa Senhora dos Remédios, foi introduzida em Portugal no início do século XIII, chegando aqui no ano de 1802, após a conquista das missões pelos portugueses, pelo nosso fundador, José de Quevedo de Macedo.

A imagem possui 10 centímetros de altura, contém uma coroa de ouro que lhe foi acrescentada por uma pessoa devota, certamente em cumprimento a uma promessa.

Em gratidão a uma graça alcançada, São João de Matha homenageou a Virgem Maria com o título de Nossa Senhora do Bom Remédio ou, como ficou conhecida em Portugal, Nossa Senhora dos Remédios; tendo o poder divino de alcançar graças para soluções de situações difíceis.

A Igrejinha dos Quevedos que deu nome ao povoado, foi construída em 1820, por seus filhos. Sendo atualmente a Capela mais antiga, possuindo a imagem da Padroeira do Município, Nossa Senhora dos Remédios e várias imagens de madeira da época missioneira.

Em 1946, por ocasião de uma visita a Quevedos, Dom Antonio Reis, Bispo de Santa Maria, declarou a modesta capelinha patrimônio religioso da Diocese.

A partir de 1919, no dia 17 de outubro, celebra-se a Festa da Santa Padroeira. As pessoas mais antigas dizem que se uniam à Festa da Padroeira e à Festa do Divino fazendo procissões.

A devoção foi se espalhando pela região com a participação das comunidades vizinhas. Muitos vinham de longe a cavalo e acampavam no local para participar das novenas e dos festejos.

Em outubro de 2010, acontece a 1ª Romaria em homenagem a Padroeira de Quevedos "Nossa Senhora dos Remédios", com o intuito de recuperar e continuar a devoção iniciada já há algum tempo.

A Romaria pretende despertar a piedade mariana, casa do catolicismo e assim atrair os devotos a figura central de nossa fé, Jesus Cristo.

Outro fator relevante é a necessidade da presença dos espaços históricos e culturais do município para que as futuras gerações não percam os laços com sua história e elementos que forjaram a cultura local.

Nesse ano celebramos os 10 anos de existência do território da Paróquia Nossa Senhora dos Remédios, criado por Decreto do então Bispo Diocesano Dom Ivo Lorscheiter em 02 de outubro de 2001.

 

 

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